Informação, capitalismo e democracia

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Não é fácil ir contra os discursos catastrofistas. Eles são mais barulhentos, chamam mais a atenção e estão presentes todos os dias nas manchetes de jornais, nas longas entrevistas de rádio e TV a cabo e diluído discretamente nos noticiários de TV aberta. Afinal, boa notícia não é notícia (e insuflar euforia é tão perigoso para a economia quanto disseminar o catastrofismo exacerbado). Mas a principal dificuldade de ir contra esse forte discurso está em sua propriedade especial: dada sua onipresença, ele sempre terá um potencial de profecia auto-realizada (ainda que, por sorte, nem sempre essa potência se realize).

Por isso é importante ressaltar o papel chave que a informação exerce em um país: ela fornece elementos para a tomada de decisão dos agentes econômicos e políticos. Entre os agentes políticos, os cidadãos podem decidir votar ou não em um candidato, simpatizar ou não com um movimento social, ir às ruas para protestar ou ficar em casa. Do mesmo modo, políticos e burocratas podem por uma política em detrimento de outra tendo em mãos alguns dados e interpretações da realidade.

Na economia, idem: consumidores podem decidir poupar ou comprar, dependendo da leitura (mediada) que ele faz da conjuntura. Mesmo que equivocada, notícias alarmistas sobre uma alta futura dos preços pode desencadear uma corrida aos mercados… pressionando os preços para cima, realizando, assim, a profecia. E, talvez mais fundamentalmente, empresários podem decidir contratar ou demitir, aumentar ou diminuir o ritmo da produção e do investimento ou simplesmente alocar seu capital aplicações financeiras, tudo com base nas informações de que dispõem. A mera expectativa de um cenário mais sombrio no futuro pode gerar um movimento de redução de contratações ou de demissões, que por sua vez diminui a demanda, resultando em um cenário sombrio… voilà, mais uma profecia que se realiza por ela mesma.

Por isso, o recorte que os formadores de opinião dão é fundamental para a economia do país. Logo, também é importante que uma economia de mercado venha acompanhada de um elevado grau de pluralismo e diversidade de vozes e perspectivas, em especial nos veículos de comunicação de massa, sob pena de essas decisões política ou/e econômicas serem feitas com base em uma visão do mundo apenas, aumentando o risco de tomar decisões com base em uma leitura equivocada dos fatos.

Não há, portanto, nada de revolucionário ou radical em propor a regulamentação do “negócio” da mídia, para se evitar aquilo que já se busca evitar em outros “negócios”: formação de monopólios, cartéis e trustes que possam prejudicar a concorrência do “mercado da informação”.

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Nos próximos posts, além de artigos de opinião e análise política e social, vou buscar apresentar uma leitura diferente dos dados parcialmente publicados na mídia, buscando apresentar dados e tratamento de dados ausentes do “debate” mediático.

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