Xeque!

Xadrez

O tabuleiro de xadrez das próximas eleições foi palco de uma movimentação decisiva e não antecipada por nenhum “analista” político. A peça de Marina Silva fez um “roque” com a de Eduardo Campos: a ex-petista , ex-verde, ex-futura-rede agora virou “socialista”. O PSB, que até ontem era um partido condenado a insignificância, pode se tornar o grande partido de centro-direita do país.

O movimento de Marina define que as coisas seguirão indefinidas: afinal, faz sentido a vice-líder das pesquisas ser vice na chapa de uma candidatura que tem tudo para não deslanchar? Ou, ainda, faria sentido o presidente de um partido, depois de arcar com tantos custos políticos para impor sua candidatura, entregar a cabeça de chapa de mão beijada para uma novata na agremiação, que, ademais, tem prazo para se desfiliar? Mais ainda: num sistema de “presidencialismo de coalizão” faz sentido uma chapa competitiva “pura” de um partido médio para disputar a Presidência?

O melhor para a análise política, nesses casos, é trabalhar com hipóteses.

Hipótese 1: Campos para presidente, Marina para vice
No primeira caso, o mais ventilado nos primeiros momentos, é que Marina seria candidata a vice na chapa encabeçada por Campos. Seria boa para o PSB, para Campos, mas não para Marina ou para a Rede. Boa parte dos eleitores de Marina, em geral anti-petistas e não identificados com o PSDB, poderia migrar para o desconhecido Eduardo Campos. Ao “sair do chão”, o candidato passa a ter chances de disputar com Aécio uma vaga no 2º turno. Para o PSB seria a chance de se tornar enfim a terceira ou segunda força no Congresso. Mas Marina, mesmo sendo coprotagonista, não teria o mesmo destaque que teria na cabeça de chapa. No Brasil, os “vices” são geralmente secundários na campanha, apesar de eles já terem assumido o posto principal por diversas oportunidades, como Café Filho, José Sarney e Itamar Franco. Marina entra no jogo partidário em um “velho” partido, com o ônus de macular sua “aura” de líder dos que estão “contra tudo isso que está aí” sem o bônus de ser a candidata principal. Já a Rede poderia ser criada depois das eleições, mas em 2014 seus apoiadores, possivelmente muitos neófitos, teriam de se filiar e lutar por candidaturas nos velhos partidos, com os velhos métodos de disputa. Passado esse anticlímax, mesmo após a migração para a futura Rede, o partido teria de se apresentar ao eleitor primeiramente em eleições locais, perdendo assim a oportunidade de expor um discurso mais abrangente sobre questões nacionais e internacionais para construir sua identidade para si e para os outros. Eleições locais seguem outras dinâmicas e em geral não têm uma carga ideológica tão marcada (em especial em cidades pequenas e médias) quanto em eleições gerais, mais adequadas para lançar um partido que tem um projeto de país.

Hipótese 2: Marina para presidente, Campos para vice

A hipótese menos plausível é de Campos estar disposto a ceder a cabeça de chapa para Marina. Matematicamente, porém, isso faria sentido: é ela que, mesmo sem partido, vem ocupando a vice-liderança nas pesquisas. E, até o momento, é a única que em algum momento ameaçou uma provável vitória de Dilma. Campos poderia estar preparando terreno para, depois se candidatar à sua sucessão e consolidar o seu partido (caso, claro, Marina vença e depois se reeleja). O PSB também ganha. Marina também ganha, assim como a Rede. Mas o projeto mais imediato de Campos perde. Se Campos não tivesse a ambição de ELE ser o cabeça de chapa, não sairia do governo em primeiro lugar. Alguém teria de esperar muita “abnegação”, pragmatismo e pensamento de longo prazo da parte de Campos. Algo que não combina com o que ele vem demonstrando. Mas pode acontecer: a força da matemática eleitoral pode ser brutal com ambições pessoais.

Hipótese 3: Campos OU Marina para presidente, vice de outro partido

Na terceira hipótese, apenas um deles estaria na chapa. Faria sentido para abrir espaço para compor uma coligação com um outro partido, como PV, PPS ou Solidariedade. Mas isso implicaria dizer que um dos dois presidenciáveis (provavelmente Marina, mas não necessariamente) sair de cena e disputar uma cadeira em outra freguesia. Talvez em um Estado grande, ou uma cadeira no Senado. Neste caso, se Marina disputar uma eleição estadual, digamos, o governo do Estado do Rio, o projeto da Rede perde muito, assim como Marina. Aqui, de novo, ganham PSB e Campos.

São múltiplas as possibilidades abertas com esse movimento de Marina, que gerou mais indefinições com a sua definição. O que é certo agora é que Campos e Marina não poderão  figurar como adversários na mesma pesquisa de opinião (e, claro, nas eleições de 2014). E, ao contrário do que pensam, isso é ruim para Dilma. E pior ainda para Aécio, que agora tem que mover as sua peça.

campos marina aécio

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