Indústria de bens de capital cresce 14,6% e puxa ciclo de retomada da economia em 2013

Imagem

São os encadeamentos, estúpido!

O setor de bens de capital é um setor fundamental da indústria como um indicador de atividade econômica. Intensivo em capital, os bens de capital (máquinas e equipamentos e material de transporte) participam de todas as cadeias produtivas da economia. Por isso, quando o setor aumento, é provável que esteja antecipando um crescimento futuro de outros setores industriais e, logo, do restante da economia como um todo. É um indicador que antecipa tendências e revela a confiança ou a falta de confiança da indústria.

Os recentes dados do IBGE de desempenho do setor de bens de capital, porém, em especial os divulgados desde o início do ano, vêm sendo sistematicamente ignorados pelos “analistas” econômicos e jornalistas.

Imagem

Segundo o IBGE, o setor cresceu, no acumulado do ano (janeiro a setembro) nada menos que 14,6%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 7,8% e, se comparado a setembro de 2012, o crescimento foi de 24,1%. Claro que é preciso lembrar que, no ano passado, o desempenho do setor foi péssimo: queda de 11,8%.

Ainda assim, não deixa de apagar a clara mensagem: 2013 é um ano de início retomada da atividade. Tal como o restante da economia (ver post anterior) o setor de bens de capital parece ter saído do fundo do poço de 2012 e, em 2013 começa a ver uma luz no fim do túnel. Mais do que isso, a retomada do setor é um indicativo de um ciclo mais consistente de crescimento está por vir.

O desempenho do setor segue em ciclos, como a economia capitalista como um todo. Não se sabe de antemão, porém, a intensidade e velocidade das subidas e das quedas, que seguem lógicas diferentes em cada contexto. Vejamos o caso brasileiro no gráfico abaixo:

Imagem

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do IBGE

Vendo o comportamento de mais longo prazo do índice, no acumulado em 12 meses, percebe-se que, nos últimos 20 anos, o setor teve 7 picos (1995, 1998, 2001, 2004, 2008 e 2010) e 6 vales (1993, 1996, 1999, 2002, 2006, 2009 e 2012). Ou seja, quedas e subidas faz parte do jogo. A meta para o gestor da economia, então, seria diminuir a intensidade da queda e aumentar a duração da retomada. Mais ou menos como aconteceu entre 2004 e 2008.

Fechando mais o zoom para os três últimos anos, vemos que o ano de 2010 foi um ano de retomada acelerada da atividade industrial do setor, que atingiu seu pico de produção em novembro daquele ano. A partir daí, sofreu um lento mais longo processo de queda da atividade, que durou até dezembro de 2012, quando atingiu seu “fundo do poço”. Não por acaso, 2012 foi o ano do “pibinho”.

Finalmente, em 2013 inaugurou-se o início de um novo ciclo de acumulação do setor de bens de capital que, ao que o gráfico indica, deverá ter seu pico em 2014 (ou quem sabe até depois).

Imagem

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do IBGE

Esse padrão tem algo de déjà vu. Em um post passado, sobre a leitura da variação IBC-Br (índice mensal do Banco Central que mede atividade econômica, mais ou menos uma “prévia do PIB”) indicava exatamente essa mesma tendência. Colocando lado a lado os dados temos uma correlação quase perfeita entre a variação do índice do BC, indicando apenas a inter-relação forte entre as duas variáveis.

Resumo da ópera: 2013 será o ano da retomada. E, puxado pelo setor que “puxa” o restante da economia, 2014 poderá ser um ano de crescimento mais forte.

São os encadeamentos, estúpido!

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s