Folha vs. Haddad

Imagem

A manchete de hoje da Folha, mais do que informação, traz em si uma dose cavalar de ambiguidade, no melhor dos casos. No pior dos casos, desinforma.

Quando você coloca na manchete um cargo “único”, como presidente (do Brasil), prefeito (da cidade de São Paulo) ou governador (do Estado de São Paulo, se subentende que se está tratando do atual prefeito. Se uma manchete diz  “Presidente sabia de corrupção em Brasília”, ou “Governador sabia de fraude no metrô de SP”, ou “Prefeito sabia de esquema de propina de São Paulo”, o leitor, mesmo sem ler o texto, se informa de que 1) há algum tipo de esquema de corrupção e que 2) Dilma, ou Alckmin, ou Haddad sabiam dos respectivos casos.

Mas como temos aqui (e talvez em outras partes do mundo), o costume de prestar deferência a políticos, tratando-os pelo cargo público de primeiro escalão ou eletivo mais alto que já ocuparam, mesmo que no momento estejam sem mandato, às vezes podemos estar fazendo referência a um prefeito anterior “qualquer”. Assim, Kassab é tratado por prefeito. Assim como Serra. E como Haddad, o atual mandatário. Mas falando assim, sem contexto, como no caso de uma manchete, quando se diz “prefeito [de SP]” está se referindo ao atual.

Assim temos que a manchete estampada em 8/11/2013 da Folha desinforma ou, no mínimo não informa direito. Dizer que “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal acusado de chefiar esquema de propina em SP” se refere, na primeira leitura, ao prefeito Haddad. Ou seja, associa, num primeiro momento, o petista a um “esquema de propina”. Se a primeira impressão é a que fica, e muitos “leitores” não vão além da manchete, fica assim. Em jornalismo diário, mais do que em qualquer outro tipo de jornalismo, não se tem uma segunda chance para dar ao leitor uma primeira impressão (informação e formar opinião).

Imagem

É tanta ambiguidade em um texto só… que parece que foi escrito assim de propósito

A ambiguidade não se reduz à manchete, mas perpassa todo o lead (parte mais lida e, logo, mais importante do texto) e a “primeira dobra” da página. Veja o quadro abaixo.

A ambiguidade envolve o prefeito Haddad de uma maneira que os fatos até o momento não sustentam. Pode ser que a ambiguidade da manchete tenha sido apenas um reflexo da ambiguidade da fala do fiscal, e que cravar que o prefeito é “Haddad” ou “Kassab” é temerário. Por outro lado, foi a escolha do Estado e fica sugerido, nas entrelinhas, do próprio texto da Folha. O contraste é gritante.

Nessa situação, porém, o melhor é apurar melhor e, na impossibilidade de esclarecer a ambiguidade, não publicar a reportagem no dia ou, pelo menos, dar com menos destaque ou/e com maior grau de generalização. Substituir a palavra “prefeito” por “autoridades” seria, neste caso, uma melhor escolha. Perde força, mas ganha em precisão e reduz a ambiguidade a zero.

Mas essa não foi a escolha da Folha, que, ao tornar esses “erros” mais e mais recorrentes faz transparecer, mais do que nunca, seu comprometimento em visar certos políticos em favor de outros grupos. A bola da vez parece ser o prefeito Haddad.

It’s just business, nothing personal.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s