Entre o meio cheio e o meio vazio, a mídia fica sempre no vazio

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Copo meio cheio, meio vazio ou completamente cheio de algo – depende do ponto de vista

 

Números de indicadores econômicos não são tão simples de se informar. Eles trazem sempre uma verdade parcial: depende muito de sua interpretação, das relações que você faz. E sobretudo da ênfase que você dá. E, como em geral, a maioria dos leitores se satisfazem apenas com a manchete, é ela que ganha, pois, um peso decisivo no debate e na construção da realidade.

 

Digamos que o PIB de um país cresça 10% em um certo ano. Mas essa aceleração tinha sido precedida, no período anterior, por uma queda de 11%. Um jornal pode ressaltar os 10%. Outro veículo estampa que o crescimento não compensou a recessão do ano anterior. Nenhum dos dois está errado. E o país – e a economia – só tem a ganhar com essa pluralidade de visões sobre um mesmo “fato”. Dá aos agentes econômicos um conjunto de informações menos parciais do que teriam se só tivessem acesso à notícia otimista ou só a pessimista. E pode levá-los a ações e reflexões mais sintonizadas com a realidade concreta.

 

Mas isso raramente acontece, de fato, no Brasil. O último resultado do IBC-Br (índice mensal do Banco Central que é considerado uma “prévia” do PIB) foi uma amostra significativa: praticamente TODOS os grandes veículos ressaltaram o “meio vazio” do copo.

 

Mais: praticamente TODOS deram A MESMA manchete (com poucas variações no substantivo), isto é, fizeram O MESMO recorte dentre dezenas de recortes possíveis. Os veículos ressaltaram a queda de 0,12% no 3º trimestre – frente ao trimestre anterior.

 

Algum veículo, entre os 11 selecionados, poderia ter ressaltado outros fatos em suas manchetes, como por exemplo:

a) que o IBC-Br estagnou (-0,01%) em setembro em relação a agosto

b) ou então dar peso ao fato de que, segundo o índice, a economia avançou 2,68% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

c) ou então, para fugir da mesmice mês a mês, poderia dizer que o índice registrou, no acumulado de 12 meses, alta de 2,48% (o meu recorte favorito).

d) ou, para manter a ideia de trimestre, dizer que o IBC-Br mostra que 3º trimestre de 2013 cresceu 2,32% em relação ao mesmo trimestre do ano passado

e) ou até mesmo manchetar que, no ano de 2013, a economia cresceu, até agora, 2,89%, segundo o IBC-Br

 

Essas são algumas das várias interpretações possíveis a partir dos dados divulgados hoje. Mas preferiu-se o “consenso”, e decretar que o Brasil vai, irremediavelmente, para o buraco, depois de a economia desabar 0,12% no 3º trimestre. Na verdade, a economia está em plena retomada.

O fato de NENHUM dos 11 ter saído do roteiro catastrofista dá sinais de uma democracia frágil, de uma mídia homogênea, sem pluralidade, pouco representativa da diversidade de pontos de vista que existem na sociedade.

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Abaixo, uma boa amostra da “pluralidade” do jornalismo econômico do país:

 

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