Inflação de 2013 desacelera para os mais pobres

INPC fecha ano em 5,56%, menor taxa desde 2009, e desmonta tese simplista de que inflação causou manifestações

A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), fechou em alta de 5,91%, e dividiu opiniões: de um lado, os “analistas” entoaram em coro a volta da inflação, já que a meta, de 4,5% não foi alcançada. De outro lado, o governo e seus apoiadores comemoraram mais um ano em que a inflação ficou abaixo do limite máximo (6,5%). Essa é uma boa discussão, que podemos fazer em outro post.

Mas, quando foi divulgado o resultado anual de inflação para 2013, praticamente não se falou de um outro índice oficial que, num passado não muito distante, era muito mais comentado e fazia parte da vida cotidiana das pessoas e do noticiário do que hoje em dia.

Trata-se do INPC (índice geral de preços ao consumidor), medido pelo IBGE, divulgado junto com o índice “principal”, mas sem muito destaque e com pouco debate. O interessante desse  índice de preços é que ele abrange apenas famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos (de R$ 724 a R$ 3.620). Ou seja, mede com mais precisão a inflação sentida nas famílias mais pobres, por ter uma “cesta” de produtos e ponderações diferente do IPCA.

Pois bem, o INPC de 2013 fechou em 5,56%, abaixo, portanto da inflação medida pelo IPCA. Ou seja, a inflação sentida pelos mais pobres foi MENOR que a sentida pelo conjunto da população (conjunto que inclui os mais ricos). Mais: não só o INPC de 2013 foi menor que o índice amplo, como também foi menor que o índice de 2012, que foi de 6,2%. Ou seja, em um ano, a inflação para os mais pobres desacelerou.

INPC Índice Nacional de Preços ao Consumidor - IBGE - Brasil 2013

Fonte: Ipeadata/IBGE

Nos últimos três anos, a inflação para os mais pobres foi em média de 5,86% ao ano, menor que a inflação média para as famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos (6,08% ao ano) no mesmo período. Se fizéssemos um ranking de inflação para os mais pobres desde 1999, dividido por mandatos presidenciais, teríamos a seguinte classificação:

1º Lula II (5,55%)

2º Dilma (5,86%)

3º Lula I (6,09%)

4º FHC II (9,47%)

***

Moral da história: ao contrário do que vinha sendo defendido por analistas econômicos que, quando das Manifestações de Junho, diziam que a revolta era por conta da inflação, os mais pobres estão sentindo menos o aumento de preços agora do que no passado – e menos em 2013 do que em 2012. Para essas pessoas, pelo menos no que diz respeito ao poder de compra, as coisas não estão tão ruins quanto afirmam em análises econômicas que se fazem por aí.

Há, portanto, causas mais profundas por trás das manifestações, e não se pode reduzir tudo a hipóteses monocausais sem qualquer embasamento empírico ou teórico.

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