Bastiões tucanos, SP e MG mantêm estagnado o peso de suas economias no PIB nacional entre 2003 e 2010

Perdidos entre um discurso moralista e outro que fala da “volta da inflação”, os líderes do PSDB finalmente acharam um tema relevante e que, de fato, tem desapontado no governo Dilma: crescimento.

É “pibinho” pra cá, “investidores com medo” pra lá. O argumento do discurso é simples (e simplificador): o crescimento é baixo porque os investidores teriam deixado o Brasil por medo das intervenções de Dilma na economia. O corolário é que a mera mudança no governo faria o investimento retornar ao país e dele decorreria o crescimento. E de crescimento o PSDB entende. Mas será mesmo?

A última ocasião em que o PSDB se colocou como alternativa para a retomada do crescimento foi na convenção estadual do partido neste dia 29/6, durante o discurso de José Serra. Segundo ele, “São Paulo tem avançado, apesar da incompetência do governo petista na esfera federal.” Mais uma vez: será mesmo?

Os dados duros mostram outra coisa.

O PSDB, o partido do crescimento, está no poder em São Paulo há 20 anos. É uma geração inteira. É tempo o bastante para fazer a diferença na Saúde, Educação e… na economia. Sabemos que a Saúde e Educação públicas do Estado não são boas. Mas os tucanos sempre mantiveram a imagem de bons “administradores”, que “entendem de economia” … e de crescimento. Aí o PSDB vai bem. Certeza.

Só que não.

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No período de 16 anos, entre 1995 e 2010, a participação do Estado de São Paulo no PIB nacional vem caindo de maneira significativa: perdeu 4,2 pontos, passando de 37,3% para 33,1%. Oscilou entre a perda na participação e estagnação. Foi o Estado da federação que mais perdeu participação no PIB nacional, na comparação entre 2010 e 1995.

A maior perda no peso da economia paulista no PIB do país se deu, curiosamente, entre 1995 e 2002, anos em que havia uma “sinergia” entre governo estadual e federal. No período seguinte (2003-2010) a participação paulista não saiu do lugar e permaneceu em 33,1%.

Sim, ainda é bastante, sim, é o maior PIB, mas o importante (a novidade) é a tendência de mudança estrutural da concentração regional de riqueza. Pior para São Paulo, melhor para o país.

A economia brasileira desde o fim da República Velha tendeu a concentrar-se no Sudeste e São Paulo era a locomotiva. Esse grande peso (um terço) não é fruto da política tucana. Ao contrário, o peso de São Paulo já foi maior. Então, ao contrário do que disse Serra, São Paulo não “tem avançado (…) apesar do governo federal”. São Paulo tem ficado para trás. A locomotiva virou maria-fumaça.

“Mas o candidato é Aécio, ótimo administrador. E Aécio é Minas, e Minas está na vanguarda. Não é?”

Mais ou menos.

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Assim como São Paulo, Minas vem sendo administrada pelo menos partido desde pelo menos 2003. No plano econômico, na última década (a série vai até 2010), Minas se saiu um pouco melhor que São Paulo, mas apenas marginalmente. Entre 2003 e 2010, o peso da economia mineira no PIB nacional passou de 8,8% para 9,3%. A tendência no período não foi muito clara, apresentou alguns estagnação e altos e baixos. Noves fora, subiu, mas bem pouquinho. Ou seja, a participação da economia mineira ficou relativamente estagnada nos anos Aécio Neves.

“Mas… mas… mas os anos FHC foram anos de crescimento acelerado, não?”

Então. Não. O crescimento médio dos anos FHC (1995-2002) foi de apenas 2,3%, sendo que o primeiro mandato (1995-1998) foi de 2,5% e o segundo, de 2,1%. A situação fica pior se compararmos com o PIB mundial.

 

Participação Brasil no PIB mundial

 

De fato, segundo dados do FMI, o peso no Brasil no PIB mundial só fez cair nos “anos FHC-Malan”: passou de 3,137%, em 1995, para 2,855%, em 2002 (aqui, nessa comparação global, cada décimo de ponto percentual é muito significativo). Nos anos Lula-Palocci, o peso da economia brasileira seguiu caindo mais um pouco, ficando em 2,749% do PIB mundial, em 2005. Mas, a partir dos anos “Lula-Mantega”, o Brasil recuperou bastante a sua importância na economia mundial e chegou a 2,886% em 2010.

 

Moral da história: historicamente, o crescimento, seja no plano estadual, seja no plano nacional, nunca foi a praia dos tucanos.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Bastiões tucanos, SP e MG mantêm estagnado o peso de suas economias no PIB nacional entre 2003 e 2010

  1. the coach 2011

    Você, assim como diversos outros blogueiros, tem uma visão maniqueísta do movimento PSDB x PT, quando isso tudo vai muito além de simples dados econômicos.
    O viés a ser analisado não é, e nem nunca será, econômico.
    O viés é puramente político, onde há um governo que está construindo um estado anti-democrático, baseado em preceitos ditatoriais de esquerda envolvendo outros países próximos neste grande embuste.
    Como exemplo simples cito Cuba.
    Como exemplo complexo e espero, fortemente, que você saiba do que se trata, é o tal Foro de São Paulo.
    Você, de ascendência estrangeira, de países autoritários, de ditadores sanguinários, deveria temer isso mais do que ninguém e NUNCA querer que o Brasil, país que tão bem o acolheu e à sua família, venha a se tornar algo próximo daquelas ditaduras medonhas e sanguinárias.
    Abraços,
    C.A.Silva e Souza

  2. Mateus

    E a participação de São Paulo segue em queda:
    2011: 32,6%
    2012: 32,1%
    2013: 31,6%
    Talvez, ao se fecharem os números de 2014, São Paulo caia para 31,1% (se seguir nessa toada) e em 2015 esteja, pela primeira vez desde a década de 1930, abaixo dos 30%…

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