Rejeição a Dilma vem de quem já tem candidato

Menos de um terço dos que hoje rejeitam a petista estão indecisos ou pretendem anular o voto; 41% dos que a rejeitam votam em Aécio

 

A corrida presidencial está sendo marcada, até o momento, por dois fenômenos: o primeiro, e mais singular, é a alta proporção de votos nulos (que discutimos aqui). O segundo é a alta rejeição à presidente Dilma Rousseff, candidata que também lidera as pesquisas.

Alta rejeição nunca é bom para o candidato. Mas o quadro pode ser pior ou menos pior, dependendo de onde está partindo o veto.

Os questionários de campanha desagregam esses dados em diversas variáveis (sexo, escolaridade, renda, região geográfica) que interessam mais aos comitês de campanha. Aqui, vou focar em um recorte que, a meu ver, parece mais relevante para prever a dinâmica dos meses seguintes: em quem esses eleitores pretendem votar?

A implicação dessa resposta é bastante clara: primeiro, há muitos eleitores que pretendem anular o voto e uma parte de eleitores que ainda está indecisa. Caso esses sejam os que majoritariamente rejeitam a presidente, significa que mais facilmente poderiam migrar para candidatos da oposição. E a campanha do PSDB e da mídia em favor do voto nulo teria mais sentido. Se, ao contrário, a rejeição partir de eleitores que já têm candidato, a alta taxa de rejeição da presidente teria pouca relevância para decidir o 1º turno, no final das contas.

Aos dados do Datafolha, então.

Rejeição dilma - total

Entre novembro de 2013 e julho de 2014, a taxa de rejeição de Dilma oscilou bastante, partindo de 25% (o mínimo) e atingindo por duas vezes o máximo de 35% (patamar onde se encontra hoje). Agora a questão é: como votam aqueles que rejeitam Dilma?

Analisando o cruzamento da rejeição de Dilma, percebe-se que a grande maioria dos eleitores que rejeitam Dilma na verdade têm candidato: nada menos que 71% dos eleitores que disseram, em 16/7, que não votarão em Dilma de jeito nenhum, têm candidato. Mais: a maioria dos eleitores que rejeitam Dilma (41%) declara voto no 2º colocado na pesquisa, o senador Aécio Neves. Apenas 15% do total que rejeita Dilma pretende anular o voto.

Rejeição dilma - em porcentagem de quem a rejeita

Traduzido em pontos de intenção de voto, esses 15% viram 5,3% dos eleitores. Numa eleição apertada, onde o 2º turno é incerto, pode fazer a diferença se esse contingente decidir votar em algum candidato. Só que isso só é válido se NADA for feito do outro lado (diria Garrincha, falta combinar com os russos), isto é, só é verdade se Dilma for incapaz de atrair mais eleitores. Com Dilma controlando metade do tempo de TV do horário eleitoral, parece difícil.

O que pode dar otimismo à oposição não é o voto nulo virar voto útil, mas o eleitor indeciso que rejeita Dilma decidir votar na oposição. Em 16/7, 35% dos eleitores indecisos rejeitavam a candidata petista. Mais: a rejeição a Dilma no total do eleitorado, segundo o Datafolha, foi de 32% a 35% entre 2/7 e  16/7. Quem puxou essa elevação foram os eleitores de Aécio (64% para 72% dos aecistas ou, como proporção de eleitores,  de 12,8% para 14,4%) e indecisos (de 27% para 35% dos indecisos, ou de 3% para 4,9% do total de eleitores).

Rejeição dilma - em porcentagem do total

Mas aqui o recado é complexo: a notícia boa para Aécio é que são eleitores que estão mais inclinados a votar e rejeitam Dilma; a boa notícia para Dilma é que esse eleitor é relativamente volátil (não por acaso, está indeciso) e, da mesma forma que passou a rejeitar Dilma, pode mudar de ideia (e quem sabe até virar a casaca, dependendo da competência da campanha).

A moral da história que fica é semelhante à do voto nulo: a tática de mobilizar recursos (em especial, via mídia e imprensa) tem um potencial de afetar uma proporção pequena de eleitores (aqueles que, ao mesmo tempo, votam nulo e rejeitam Dilma) comparando-se com número de apoiadores que Dilma pode conquistar depositando todas as fichas numa campanha positiva. Mas o crescimento da rejeição de Dilma entre os indecisos é fator de preocupação (e mais um motivo para Dilma fazer uma campanha positiva) se se consolidar como uma tendência nas próximas semanas.

Apesar de não estar em um patamar alto (historicamente falando), justamente são os eleitores indecisos, mais do que os eleitores que dizem anular o voto, que vão decidir a sorte do 1º turno das eleições.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s