Impeachment ganha força, mas ainda está longe dos votos necessários

São 264 deputados a favor do impedimento contra 157 contra e 92 indefinidos, segundo levantamento do Placar do Impeachment do DataPersa

Placar v2 - 1

Estas últimas duas semanas foram intensas na movimentação do Placar do Impeachment. Deputados indefinidos saindo do muro, contrários ficando indefinidos, favoráveis virando contrários – entre outras movimentações. Hoje, 264 deputados já se declaram publicamente favoráveis ao impeachment da presidente Dilma. Por outro lado, 157 estão inclinados a votar contra o impeachment, enquanto outros 96 parlamentares não decidiram o voto (ou pelo menos não fizeram qualquer indicação pública).

Gráfico geral - 2

O levantamento foi uma atualização da apuração feita há duas semanas e usou de semelhante método (limitado, imperfeito etc.). De lá para cá, o placar mudou bastante. Ainda que tenha havido outras “movimentações”, no frigir dos ovos, 29 parlamentares saíram do estado “indefinido” e tomaram posição. A grande maioria desses ex-indefinidos decidiu-se pelo impeachment: nada menos do que 22 novos adeptos à saída da presidente, contra 7 que passaram a ser contrários. Isso significa que, se há duas semanas a oposição precisava de 100 votos, hoje ela precisa de 78. Por outro lado, o governo, que precisava de 22 votos para garantir que a oposição fosse derrotada, hoje precisa de 15 apoios. Mas é bom frisar: quem PRECISA de votos é a oposição. O governo PODE se salvar com menos de 172 votos, mas, com esse número, COM CERTEZA se salva.

O sinal da movimentação foi claro: houve um avanço do impeachment. No entanto, o jogo segue aberto, como há duas semanas. Se fosse um jogo de futebol, o lado do impeachment estaria jogando melhor. Mas o lado contrário joga pelo empate, e ainda não saiu gol na partida.

O interessante aqui é notar quem são esses 29 que se definiram (não os nomes, pois esse é o resultado “líquido” das movimentações). A primeira coisa que chama a atenção é que 20 desses 29 são parlamentares do Sul ou do Sudeste. Antes, as duas regiões representavam na Câmara 59 dos 121 indefinidos. Agora representam 39 de 92, isto é, eram 48,7% dos indefinidos e hoje são 42,6%. Essencialmente, são esses os deputados que deixaram a indefinição (ou até mesmo a contrariedade) e se declararam publicamente em favor do impeachment: o crescimento do número de deputados sulistas e sudestinos a favor do impedimento foi de 21 integrantes – praticamente a variação total, isto é, a movimentação pró-impeachment das demais regiões foi nula, na somatória.

Tabela regiões - 5

Essa concentração regional da movimentação no Sul e no Sudeste é boa notícia para o governo. Isso porque, como vimos há duas semanas, a maior parte dos parlamentares contra o impeachment vem da região Nordeste, que agora tem quase o mesmo número absoluto de parlamentares indefinidos que o Sudeste (29, contra 32 do Sudeste),  e passaram a representar quase um terço dos indecisos (há duas semanas, eram pouco mais de um quarto). É no Nordeste que Dilma tem mais apoio popular e de governadores. Isso pode indicar que a intensidade da mudança pró-impeachment pode perder força nos próximos dias, porque o voto “fácil” já teria sido conquistado. Mas, claro, há outras determinantes que podem influenciar o voto.

Uma dessas determinantes, claro, é a filiação partidária. Vale observar que, após a apuração, 20 parlamentares trocaram de partido, antes de fechar a janela do troca-troca partidário (no total, nada menos que 83 deputados trocaram de legenda) e que houve também secretários municipais e estaduais, além do ex-ministro dos Esportes George Hilton, que reassumiram a cadeira da qual eram titulares. Isso causa um ruído para saber exatamente como a movimentação partidária ocorreu.

 

Gráfico contra e a favor - 3

Observa-se no gráfico abaixo que as maiores variações em favor do impeachment, seja por aumento da bancada ou por mudança de posicionamento, aconteceu no PMDB (+5), DEM (+4), PP (+4), PSDB (+3) e PTN (+3). Somados, estes quatro partidos representaram uma variação bruta de 16 deputados. Do lado pró-impeachment, as maiores variações aconteceram no PDT , PP, PROS e PTN, com mais 2 deputados a mais a favor. Somados, portanto, a variação bruta na qual esses quatro partidos contribuíram soma 8 parlamentares. Mas, como houve perdas (inclusive do PT, cuja bancada foi reduzida em dois deputados), o saldo “líquido” foi de 4.

Já entre os indecisos, observou-se que o PTN foi o partido em que o número mais caiu (-5), ao lado do PSC (-5), seguidos pelo PP (-3). Porém, vale fazer a ressalva que a bancada desse partido perdeu 6 deputados entre uma apuração e outra, enquanto o PP ganhou 3.

A má notícia para o governo é que o partido com mais indecisos continua sendo o PMDB, que anunciou recentemente o “desembarque” do governo, com 20. A boa notícia é que a decisão do desembarque não comoveu os parlamentares indecisos, que antes do desembarque eram 21. O partido de Eduardo Cunha aumentou sua bancada no período entre apurações em 5 deputados.

Outros partidos que concentram grande número de indecisos são PP (14), PRB (12), PR (11), PSB (10), PDT (8) e PTB (5), todos da base do governo, à exceção do PRB que recentemente decidiu adotar posição “independente” do governo e já não ocupa mais chefia de ministérios. Os cinco partidos citados que ocupam chefia de ministério no governo respondem por 48 dos 96 indecisos, isto é, exatamente metade desse grupo. Vale lembrar que, apesar do “desembarque” o PMDB segue ocupando SEIS ministérios. É a volta dos que não foram, o desembarcar embarcado.

Gráfico indecisos - 4

O DataPersa também fez um levantamento, digamos, peculiar. A votação do impeachment será com voto aberto, feito da tribuna, em viva voz. Acontece que há, ainda muitos indecisos e muitos que estão dispostos a vender a consciência para estar do lado vencedor. Mas isso só será sabido no momento da votação. Muitos que entraram “decididos” podem mudar de ideia DURANTE A VOTAÇÃO e se bandear para o lado que tem mais chances de vencer. Por isso, fizemos um levantamento em ordem alfabética com os 130 primeiros a votar. O resultado foi muito parecido com os 50 primeiros (possíveis) votantes. Aqui, o resultado pode animar aqueles contrários ao impeachment: 21 votos a favor, 20 contra e 9 indefinidos.

Tabela 50 primeiros - 6

Outro aspecto do perfil dos deputados é revelado pelo trabalho da ONG Transparência Brasil, no projeto  Excelências, que faz levantamento de “processo em que algum parlamentar é réu ou foi punido (…) rejeição de contas eleitorais, inscrições na dívida ativa previdenciária e na lista de autuados por exploração do trabalho escravo”. Ao todo, são 302 deputados que estão nessa lista.

Cruzando ambas os dados, temos que, dos 302 com problemas na Justiça, 155 parlamentares devem votar pelo impeachment, 99 contra e 48 estão indefinidos.

Tabela jantot, stf, TBr - 7

O Placar do Impeachment deve mudar muito até o dia da votação, não só por conta da definição de posicionamento dos indefinidos, das negociatas de ambos os lados. Além disso, tem outras variáveis que não são captadas pelo placar: ministros e secretários estaduais ou municipais podem assumir mandatos de deputado; muitos podem simplesmente deixar de votar; e, claro, muitos podem mudar de posição. Esse é o placar “de momento”, até o dia 3/4, a partir das informações que estavam disponíveis publicamente.

Vamos ver as cenas dos próximos capítulos.

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